Imoveis industriais em alta no Brasil

Procura por espaços industriais em alta

Incentivos fiscais, mão-de-obra qualificada e boa acessibilidade às principais rodovias do País são as razões para o desenvolvimento do mercado imobiliário industrial que vem ocorrendo, nos últimos anos, de forma descentralizada. Mesmo assim, o Sudeste ainda desponta como a região mais importante neste setor, com destaque para São Paulo e municípios localizados até 100 quilômetros de distância da capital paulista, onde estão instalados os maiores parques industriais do Brasil. O Rio de Janeiro é outro polo importante de investimentos, seguido por Curitiba (PR).

Todo esse panorama poderia cair por terra devido ao atual cenário de incertezas, mas, na contramão de outros segmentos da economia, o setor industrial ainda se mostra aquecido apesar da turbulência financeira. O motivo é simples: forte demanda e oferta escassa. Essa é a conclusão da pesquisa realizada pela consultoria Cushman & Wakefield, divulgada com exclusividade à Gazeta Mercantil.

Segundo dados do levantamente, o volume de estoque em São Paulo e no Rio de Janeiro fechou o ano passado em alta, assim como o valor médio de locação e venda dos imóveis e dos terrenos com vocação industrial. E a tendência é que os preços de locação - que aumentaram 20% em 2008 em relação a 2007 - se mantenham estáveis ao longo ddeste ano e que o total de contratos built to suit (construção sob encomenda) seja reduzido.

Em São Paulo, o valor médio de locação, em 2008, foi de R$ 15 por metro quadrado de área construída, podendo chegar a R$ 20 dependendo da localização e das especificações técnicas. Por sua vez, a taxa de vacância no mercado paulista ficou em 8,5%, um pouco acima da média geral, que é de 8%.

Já no Rio de Janeiro, o valor médio de locação atingiu R$ 13 por metro quadrado de área construída, com taxa de vacância de 6,5%. Curitiba bateu o recorde de menor valor médio de locação com R$ 9 o metro quadrado por área construída, custo 42% abaixo do de São Paulo. Por isso mesmo, a taxa de vacância da capital catarinense está abaixo da média geral e representa a menor entre as três cidades pesquisadas.

É provável também que a absorção líquida em 2009 não seja suficiente para suprir o novo estoque que será entregue durante o ano. Além disso, a consultoria indica, por meio da pesquisa, que a taxa de vacância geral deve terminar o ano em patamares superiores aos do final de 2008. Para Milena Morales, gerente de Pesquisa de Mercado para a América do Sul, esse cenário se explica pelo fato de ter havido muitos investimentos no ano passado, de 5% a 10% a mais do que em 2007. "Com isso, a concorrência aumenta, o que deve manter os valores de locação estáveis." Outro fator que deve ser levado em conta é a crise. Por causa da turbulência, os aluguéis não devem aumentar para não assustar possíveis clientes.

"Há muita demanda ainda. O problema é que a principal característica do mercado de indústrias ainda é de galpões próprios. Só na década de 1990 que começaram a investir na locação dos imóveis", afirma Morales.

São Paulo, 5 de Março de 2009
Fonte: Gazeta Mercantil